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O Gestor favorito do teu Gestor favorito.

A inclusão de uma direção especializada em ateliers de arquitetura.

Frank Lloyd Wright a fazer contas das suas horas de trabalho. Documento apócrifo.

Há uns meses atrás, um arquiteto de reconhecido prestígio, ao ouvir falar do nosso esforço por “ser rentáveis”, comentava que tinha comprovado que, a partir do momento que houvesse um mínimo de quatro pessoas numa equipa, era preciso ter uma para gerir todas elas.

Decidir incorporar um novo trabalhador que não se dedica a projetar – ou seja, a faturar! –, mas como mais um membro assalariado, o seu trabalho é exclusivamente o de nos gerir, levou-nos anos. Entre outros motivos, pela aposta económica e conceitual que supõe contratar alguém que “não vai abrir o Autocad”. Falamos da inclusão de um novo membro de pleno direito, com um papel exclusivo de gestão de equipa, que alivie tarefas que somos nós que assumimos agora, mas para as quais não fomos formados. Uma pessoa cuja criatividade esteja dedicada exclusivamente a possibilitar a sustentabilidade do atelier como projeto económico.

Cultura empresarial on-the-move.

Parece mentira, mas a verdade é que uma equipa como a nossa, que já trabalha há 18 anos, só há quatro anos é que elabora listas de projetos, só há dois é que paga um serviço online de gestão de horas, só há poucos meses é que sabe a quantidade de horas trabalhadas que tem um ano e que, pela primeira vez, decidiu elaborar uma projeção de trabalho do ano; isto é, um documento que antecipe o que precisamos faturar para receber um salário decente.

Estamos convencidos de que a nossa falta de cultura empresarial é endémica à profissão. Nós, em Zuloark, temos aprendido com o passar do tempo, à base de tentativa e erro, e muitas vezes prolongando situações críticas. A conclusão a que chegamos foi que a única forma de continuar a nossa viagem afastados desta precariedade centípeda era aumentando a nossa eficiência.

Atualmente somos 8,75 membros:

– Horas de trabalho anuais (ideais) por membro: 1600 horas.

– Deste total, cada um dedica 300 horas a tarefas “non-billable”, repartidas em 3 campos: Governança, Economia e Comunicação.

– Se o nosso objetivo mais modesto for que cada membro receba 1200€/mês em 14 meses (incluindo despesas), cada um deve faturar cerca de 34.000€/ano

– Portanto, se cada membro tem a possibilidade de deixar de dedicar 100 horas anuais a tarefas “non-billable” para dedicar as mesmas às “billable”, o ordenado deste gestor de equipa ver-se-á rapidamente amortizado.

 

Embora dê vertigens, este simples cálculo faz-nos apostar pela introdução desta figura experta como peça-chave para a sobrevivência de ateliers jovens. Uma pessoa que não se tenha formado nesta endogâmica profissão. Alheia aos papeis e vícios internos adquiridos entre os membros arquitetos. Um novo ator que poderá e deverá assumir tarefas de controlo sobre as diferentes equipas de trabalho e sobre o desenvolvimento de cada projeto, involucrado na sua coordenação e eficiência, mas não na sua definição.

Todas estas tarefas, essenciais para o bom funcionamento do atelier, são, no entanto, tremendamente desagradáveis, exercidas entre colegas com um papel semelhante dentro da estrutura.

Todas, além do controlo de horas, da comunicação com clientes e fornecedores, procura de concursos e ajudas, etc., devem passar para as mãos dos expertos, liberando assim um tempo essencial para o resto da equipa.

É verdade que isto de contar horas tem pouco glamour! Nós, os que tentávamos reinventar a profissão, afinal engolimos sapos que nem sequer sabíamos que existiam! E, no entanto, todo aquele tempo dedicado à aprendizagem de “coisas óbvias” para qualquer empreendedor sim que serviu para alguma coisa, pois ajudou a desenvolver a nossa empresa à medida das nossas vidas, e não o contrário.

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Zuloark es un colectivo interdisciplinar dedicado a la Arquitectura, el Urbanismo y la investigación.

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