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Rumo a una transiçao digital

Em 1884, Karl Marx desenvolveu a sua teoria da alienação, que classificou em quatro tipos: alienação da natureza, de outras pessoas, do nosso trabalho e de nós próprios. Quatro formas de alienação que são incrivelmente relevantes nestes momentos e que estão intrinsecamente relacionadas com o futuro incerto ao que nos enfrentamos. Um futuro definido pela imensa quantidade de emergências ecológicas, sanitárias, sociais e políticas às que o planeta se enfrenta.

Haus-Rucker-Co, Oase No.7, 1972

Haus-Rucker-Co, Oase No.7, 1972

“Vivemos num mundo em constante mutação”. Assim começava Ponto de inflexão. Posições radicais para um mundo em mudança, o tema central da VII edição dos prémios arquia/próxima. Quando publicámos esta convocatória no ano passado, não podíamos imaginar as mudanças que enfrentaríamos poucos meses depois. A pandemia que a COVID-19 gerou foi um ponto de inflexão e um ponto de reflexão para arquitetos e cidadãos em geral. Um acontecimento que redefiniu radicalmente a maneira como nos relacionamos entre nós, com o nosso trabalho e com o mundo que nos rodeia.

O espaço doméstico tem sido um importante foco de atuação entre os 24 projetos selecionados desta edição, dos quais metade são projetos são residenciais. A pandemia fez-nos valorizar este espaço, analisá-lo, observá-lo e perceber a importância de viver em espaços domésticos de qualidade e que se adaptem às novas e mutantes condições de vida. Um espaço onde a fronteira entre público e privado, pessoal e laboral, se tornou ainda mais difusa. Cozinhas, salas e quartos transformam-se agora em cenários a partir dos quais podemos realizar virtualmente as nossas atividades diárias: praticar desporto, ter reuniões de trabalho ou conviver com amigos e familiares. Novas formas de interação que têm sido possíveis através de plataformas virtuais, que geram micro e macropolíticas alternativas que redefinem o significado e os limites dos nossos lares.

Com a mesma rapidez com que as plataformas de comunicação virtuais evoluíram nos últimos meses, proliferaram, também, muitos novos formatos de difusão cultural. Uma oportunidade que se traduziu numa abertura necessária dos espaços de debate, tornando-os mais acessíveis, democráticos e sustentáveis. Acreditamos que o próximo festival arquia/próxima deverá refletir as mudanças que estamos a viver e que será um fiel representante do lema desta edição Ponto de inflexão. Para isso, estamos a criar uma plataforma virtual que permite gerar um espaço de debate global e acessível a qualquer pessoa a partir da sua casa ou escritório, em qualquer lugar do mundo. A transição do formato físico para o virtual permitirá ampliar a divulgação dos projetos selecionados tanto no programa arquia/proxima como no arquia/bolsas, bem como reduzir a pegada de carbono e o impacto meio-ambiental do festival, evitando dezenas de deslocações de participantes e assistentes.

Barcelona será a cidade que inspirará este primeiro festival virtual. Uma cidade com muitos contrastes arquitetónicos e que o Space Popular, atelier de arquitetura londrino gerido pela espanhola Lara Lesmes e por Fredrik Hellberg, usou como referencia para criar a plataforma virtual que acolherá o festival. Em relação ao festival, contaremos com debates, conversas e apresentações dos arquitetos e ateliers selecionados, e com convidados como Anupama Kundoo, Carme Pinós e Sir Peter Cook. Além disso, contaremos com uma série de filmes e entrevistas realizadas por Javier Peña, que nos darão a oportunidade de descobrir pormenorizadamente a arquitetura mais radical desta cidade. Estaremos à vossa espera dia 21 e 22 de outubro no festival virtual Arquia, onde também revelaremos, numa cerimónia virtual, os vencedores desta edição.

 

Gonzalo Herrero, julho de 2020


Texto traduzido por Inês Veiga

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