Alex Duro
Por
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‘To Young Man in Architecture’: publicado en Wright F. LL. 1931, Two lectures on architecture, The Art Institute of Chicago, Chicago.

Não concorras a um concurso de arquitetura

‘Enter no architectural competition under any circumstances except as a novice. No competition ever gave to the world anything worth having in architecture. The jury itself is a picked average. The first thing done by the jury is to go through all the designs and throw out the best and the worst ones, as an average, it can average upon an average. The net result of any competition is an average by the average of averages.1

Não amigo arquiteto, não concorras nunca a um concurso de arquitetura, seja em que circunstância for. Passaram 88 anos desde que, em 1931, Frank Lloyd Wright deu uma classe magistral no The Art Institute of Chicago2, onde refletia sobre a sua forma de entender a prática e na qual se revelou contra os concursos de arquitetura. Este conselho continua vigente ou está coberto de pó de quase um século?

Ao analisar o nosso contexto imediato, temos visto ao longo dos anos um grande número de interessantes desafios, dos quais poucos ou nenhum se levou a bom porto. Falamos de concursos normalmente não remunerados, cujas bases pretendem construir castelos no ar. Concursos cujos prémios normalmente são baixos e que obrigam a um grande número de equipas a trabalhar intensamente durante o verão. (É possível entregar um projeto a concurso no final de agosto e este revelar os resultados no final de novembro?)

Mas, após o concurso, com os seus típicos três primeiros prémios e um par de menções de honor, que opções reais têm as propostas de ser construídas? As possibilidades parecem ser zero.

Não importa se são ambiciosas reformas urbanas nas artérias madrilenas, ou se são praças centrais e ensolaradas, ou edifícios singulares protegidos, passando por sedes infraestruturais ou, quem sabe, instalações culturais de pequenos municípios: quando se trata de “pôr a primeira pedra”, nada resta do ruído produzido no momento da convocatória do concurso. O concurso de arquitetura passa a ser uma mera montra de intencionalidades não consumadas. O que é que se perdeu pelo caminho? Será que se convoca o concurso como mero instrumento propagandístico dos convocantes? Ou será que não se aplicou todo o esforço necessário para levar os projetos a bom porto?

Embora nos custe, temos que dar razão a Wright, mas sem nos esquecermos da exceção à regra:except as a novice’. Quanto àqueles que ainda são jovens, ainda albergamos a esperança de entrar na profissão com um cavalo de Troia projetado à medida de bases e de júris de concursos. Para o conseguir, não devemos esquecer o seu primeiro e mais importante conselho, e de cuja vigência atual estamos completamente cientes:

Do none of you go into architecture to get a living unless you love architecture as a principle at work, for its own sake – prepared to be as true to it as to your mother, your comrade, or yourself.’


Texto traduzido por Inês Veiga.

Notas de página
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‘To Young Man in Architecture’: publicado en Wright F. LL. 1931, Two lectures on architecture, The Art Institute of Chicago, Chicago.

Autor:
(Madrid, 1990) Arquitecto por la Escuela de Arquitectura de la UAH, 2015, y Máster en Proyectos Arquitectónicos Avanzados por la ETSAM, 2016. Arquitecto en Foster+Partners desde 2016, donde accede tras ganar la Beca Arquia 2015. También realiza la Beca Santander 2013 en METALOCUS y colabora con José Juan Barba Arquitectos y José María Sánchez García.

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