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Visto que o artigo se refere aos colégios em Espanha, e devido à fantástica organização (ironia), os valores oscilam entre as comunidades autonómicas e provinciais, entre os 30 e os 50 euros, aproximadamente. Assim, como Ricardo Aroca diria, ficar do lado da segurança significa, este caso, de uns estimados 30 euros por mês sem IVA (a maioria dos COAs já cobra as taxas sem este imposto).

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O que significa um recibo trimestral de 150 euros. Não é o mais baixo possível, mas também não é representativo uma vez cheguem as responsabilidades (que não têm que ser necessariamente obras – certificados, peritos, cupcakes envenenadores, cadeiras que desconjuntam qualquer bom cristão… etc.)

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O que significa um recibo trimestral de 150 euros. Não é o mais baixo possível, mas também não é representativo uma vez cheguem as responsabilidades (que não têm que ser necessariamente obras – certificados, peritos, cupcakes envenenadores, cadeiras que desconjuntam qualquer bom cristão… etc.)

Money, it’s a crime

Money, it’s a crime

Share it fairly but don’t take a slice of my pie
Money, so they say
Is the root of all evil today
But if you ask for a raise it’s no surprise
That they’re giving none away

Pink Floyd. Money.

 

Se se trata de fatias de tarte, a metáfora, aplicada à profissão de arquiteto, não poderia ser mais distópica. Nem doce, nem colorida, nem com cereja, a questão económico-arquitetónica – muitas vezes negligenciada e não por isso menos presente – está mais próxima da última frase da estrofe, they are not giving none away, que a do inico, slice of my pie.

Além de intenções, de desejos ou de empreendedorismos, e com um ábaco daqueles de contar, a realidade é muito mais difícil do que o que é puramente passional. Sem querer ser exaustivo, pode começar a fazer contas:

Mensalidade da Ordem: 30 euros por mês1. Seguro de responsabilidade civil (Podemos viver sem ele, mas não se dorme tão bem): unos 50 euros por mês2. Impostos de Trabalhador Independente na segurança social: 260 euros3.

Total, se o Sr. Casio não falha, sem mexer sequer o lápis, ativar o modo «arquiteto ON» significa uns 340 euros ao mês. Caso o nosso trabalhador independente seja realmente um trabalhador independente (ave rara) e – sendo generosos – o pomos a trabalhar em casa e em roupão, como os Jedi, e adicionamos 25% estimado de despesas de aluguer, água, luz e telefone: uns 350 euros em total, ou seja, 87,5 euros.

Assim, e se imaginamos (vamos tentar) que o computador, as licenças de CAD, etc. já os tínhamos antes, o total só para se colocar na casa de partida, arredondando e em modo poupança, dá uns 430 euros. Todos os meses. Independentemente de que chova, neve ou faça sol. Independentemente que Toyo Ito ganhe o Pritzker ou que o ganhe Joaquín Torres (admitem-se apostas). A lógica mais esmagadora, a matemática, indica que o balanço de ingressos e despesas anual deveria superar essa quantidade mensal, entendendo também que, para empatar, um se lembre – chamem-me hedonista – de atividades muito mais interessantes, como dedicar-se ao cultivo da lentilha selvagem ou revisitar o ‘Médico de Família’ com análise semiótica incluída.

Se, para cúmulo, o nosso sofrido caso de estudo é um falso trabalhador independente (sem seguro, sem direitos laborais, sem baixas, sem nada) daqueles que recebem – num envelope com um certo odor a musgo – uns 900€ euros ao mês, a equação deixa-lhe uns 500 euros mensais e uma cara de ânsia viva cada vez que ouve a palavra mileurista (que recebe mais de mil euros por mês), que fica no ouvido como um eco, afastando-se, como um pontinho brilhante no horizonte.

A realidade tem a tendência de ser teimosa, e os números ainda mais quando estão a vermelho e com um sinal de menos à frente. A paixão é necessária nestes casos. Muito. O que também se requer é a vocação e o apreço cuidadoso pelo que se faz, que normalmente inclui uma certa capacidade de sacrifício, de magistério permanente. No entanto, levar a passear a calculadora de vez em quando não faz mal nenhum, simplesmente para saber se estamos a exercer uma profissão complexa, com tudo o que isto acarreta – incluindo o respeito pela realidade – ou se estamos, como diria Zizek, aplicando a ideologia como uma forma de negação e, portanto, de autocensura.

Ou de martirológio, não sei o que é que é pior.

Notas de página
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Visto que o artigo se refere aos colégios em Espanha, e devido à fantástica organização (ironia), os valores oscilam entre as comunidades autonómicas e provinciais, entre os 30 e os 50 euros, aproximadamente. Assim, como Ricardo Aroca diria, ficar do lado da segurança significa, este caso, de uns estimados 30 euros por mês sem IVA (a maioria dos COAs já cobra as taxas sem este imposto).

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O que significa um recibo trimestral de 150 euros. Não é o mais baixo possível, mas também não é representativo uma vez cheguem as responsabilidades (que não têm que ser necessariamente obras – certificados, peritos, cupcakes envenenadores, cadeiras que desconjuntam qualquer bom cristão… etc.)

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O que significa um recibo trimestral de 150 euros. Não é o mais baixo possível, mas também não é representativo uma vez cheguem as responsabilidades (que não têm que ser necessariamente obras – certificados, peritos, cupcakes envenenadores, cadeiras que desconjuntam qualquer bom cristão… etc.)

Autor:
(Almería, 1973) Arquitecto por la ETSAM (2000) y como tal ha trabajado en su propio estudio en concursos nacionales e internacionales, en obras publicas y en la administración. Desde 2008 es coeditor junto a María Granados y Juan Pablo Yakubiuk del blog n+1.

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