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Chama a atenção que a descrição da aprendizagem feita por cada aluno é baseada em experiências pessoais, no encontro com um certo professor ou em tal viagem ou curso … Algo que é curiosamente irrepetível. Algo, até, intransferível.

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Miguel Ángel Díaz, nesta mesma página, falou sobre isto do fenómeno fã na arquitetura ao fio da educação do arquiteto. https://blogfundacion.arquia.es/2015/01/la-ensenanza-de-la-arquitectura-conexiones-improbables/

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Raquel Martínez e Alberto Ruiz trataram este tema da formação da arquitetura no âmbito digital em https://blogfundacion.arquia.es/2014/07/yo-quiero-tener-un-millon-de-alumnos/

Alguém sabe como é que hoje em dia se aprende arquitetura?

Friz Lang, backstage de “Metropolis”, 1925-1926.

Friz Lang, backstage de “Metropolis”, 1925-1926. Imagem de fonte desconhecida.

Alguém sabe como é que se aprende arquitetura hoje em dia? Algum dos alunos dos diferentes estabelecimentos de ensino onde se atribui o título de arquiteto poderia fazer uma descrição credível da sua aprendizagem?… A resposta, curiosamente, não seria imediata, nem para um estudante nem para os docentes, nem sequer para qualquer estabelecimento que se preze a ensinar algo. Paradoxalmente isto não resulta escandaloso porque, a efeitos práticos, a aprendizagem produz-se.1

Tradicionalmente, recorreu-se à “vocação” como um secreto motor de aprendizagem do arquiteto. Hoje, ser um  ou um amador da arquitetura seja, talvez, somente um impulso necessário, mas não suficiente.2 Talvez, de facto, esse motivo não seja o único que incentiva o embarcar em alguns estudos que, à priori, parece que não permitirão que os seus graduados subsistam com facilidade. Realmente, uma “vocação” vacilante não é uma explicação satisfatória do alto nível de preparação, flexibilidade e energia com que os estudantes de arquitetura dos nossos países saem para o mundo.

No entanto, é um facto constatado que, cada vez mais, o estudante aprende “à sua maneira”.

Sobre a base curricular que oferecem os programas de estudo produz-se uma progressiva e eficaz soma de experiências que possibilitam essa aprendizagem. Precisamente, na maleabilidade desse apoio intangível que oferecem as escolas, baseia-se em oferecer a aprendizagem sobreposta e cada vez mais especializada à que os alunos se enfrentam hoje. A isto somemos ainda o modo de aceder à informação, cada vez mais imediato, rico e de maior resolução.3

O prematuro modo que vemos, hoje, especializarem-se os estudantes de escolas e universidades de arquitetura diante dos nossos olhos, inclusive antes de terminarem os seus estudos, a capacidade de autoanalisar as suas capacidades e buscar o seu nicho de conhecimento específico, é um desafio ao qual os estabelecimentos de ensino e os professores estão chamados para colaborar.

No entanto, se a aprendizagem é algo individual, o contexto na qual esta se produz é o de uma comunidade cada vez mais ampla e horizontal. Graças, entre outras coisas, às redes sociais, a progressiva e invisível transformação destes “centros” de ensino em comunidades de aprendizagem da arquitetura é iminente. Reforçar a retroalimentação do entusiasmo que provoca este sentimento de pertença a uma comunidade é um novo desafio e uma responsabilidade adicional para as escolas.

Talvez essa aprendizagem sobreposta e simultânea seja, hoje, compatível com alguns dos recursos empregados tradicionalmente na formação do arquiteto. A aquisição de conhecimentos através de um sistema de “projetos” seguramente continue a ser algo específico e rico no futuro. E não se refere tanto à disciplina de “projetos” em si, mas ao facto de ser capaz de concentrar em torno de uma aprendizagem baseada em “projetos”, entre outros e muito diversos ensinos. Curiosamente, trata-se de um sistema que começa a ser abordado graças a que os educadores mais vanguardistas de meio mundo confiem na extraordinária eficácia integradora de conhecimentos que é um projeto.

Vimos assim, resumidamente, quais são os desafios que enfrentam os estudantes do nosso tempo: solape de estruturas de aprendizagem, novos meios digitais, especialização precoce e aprendizagens em comunidade. A todas elas é adicionada a capacidade forçada de comunicar o seu labor à sociedade. Uns desafios aos quais o ensino e as escolas devem incorporar-se. Caso contrário, terão um difícil futuro.

Notas de página
1

Chama a atenção que a descrição da aprendizagem feita por cada aluno é baseada em experiências pessoais, no encontro com um certo professor ou em tal viagem ou curso … Algo que é curiosamente irrepetível. Algo, até, intransferível.

2

Miguel Ángel Díaz, nesta mesma página, falou sobre isto do fenómeno fã na arquitetura ao fio da educação do arquiteto. https://blogfundacion.arquia.es/2015/01/la-ensenanza-de-la-arquitectura-conexiones-improbables/

3

Raquel Martínez e Alberto Ruiz trataram este tema da formação da arquitetura no âmbito digital em https://blogfundacion.arquia.es/2014/07/yo-quiero-tener-un-millon-de-alumnos/

Autor:
Arquitecto y docente; hace convivir la divulgación y enseñanza de la arquitectura, el trabajo en su oficina y el blog 'Múltiples estrategias de arquitectura'.

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