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Os mal denominados coletivos

Juan Genovés. Madeja, 2010. Acrílico e tecido bordado (sobre madeira), 100cm

Juan Genovés. Madeja, 2010. Acrílico e tecido bordado (sobre madeira), 100cm

“(…) Além das mudanças políticas e técnicas, os coletivos de hoje são assim tão diferentes? Também naquela época trabalhávamos doze horas por dia, sete dias por semana, tínhamos uma precária inserção profissional e compensávamos a inexperiência com o entusiasmo. (…)” Luis Fernández-Galiano. Colectivos necesarios. Arquitectura Viva. Número 145. Colectivos españoles.

Certa vez um professor de projetos disse: “Se não encontras uma denominação única e evidente para o que estás a fazer, pode ser um ótimo sinal”, acho que é o caso.

O termo “coletivos”, na ausência de um mais amplo e conciso, engloba um extenso e heterogéneo fenómeno. Nos últimos anos, a conturbada realidade e a crise estrutural, consolidaram as Arquiteturas Coletivas e propiciaram a aparição de formações muito diferentes. Um trabalho de pesquisa em 2012 contabilizou, só em Madrid, mais de cinquenta pessoas e grupos ligados aos “coletivos”, dos quais 60% não se identificavam com essa denominação. A ligação óbvia era, e é, a afinidade e o desejo de fazer arquitetura a partir de uma abordagem diferente.

A definição e representação desta realidade é um tema complexo. Apesar do bem-sucedido Mapa dos Coletivos Espanhóis de Lys Villalba (realizado a partir do profundo conhecimento e inviável por outro lado), a linearidade das edições em papel e a dependência da imagem na que caíram as tradicionais revistas de arquitetura são uma limitação para descrever o trabalho dos denominados coletivos, muito mais complexo e menos visual do que o familiar papel couché. A rede parece ser o único meio capaz de suportar a complexidade de iniciativas, relações, interesses e resultados hoje gerados.

As escolas formaram-nos para criar, a partir do papel em branco, tudo aquilo que imaginássemos. Aqueles que aplicaram esta lição de forma literal encontraram a sua meta na publicação das suas migalhas; no entanto, aqueles que souberam interpretá-la geraram novas propostas, propostas essas que introduzem outras ordens. Após uma educação baseada na solenidade do muro e na hierarquia da estrutura porticada, surgem novas estruturas, que são solicitadas de outra forma e apoiam uma abordagem alternativa, outras execuções (mesmo fora da legislação vigente), com engenhosas e necessárias soluções para introduzir a luz, sempre tão necessária na arquitetura.

Hoje, tanto os profissionais como as abordagens e as aspirações, são radicalmente distintos aos de há trinta anos atrás. Se existe coisa que se está a construir são fórmulas para encarar a atualidade.

Procuremos outros termos ou revisemos os significados. Chegou o momento de redefinições e não de melancolias.

Links de interesse:
Arquitectura Viva
Recetas Urbanas – Santiago Cirugeda
Mapa de Colecivos Espanhóis, realizado por Lys Villalba.
Colectivos y más. Trabalho de investigação realizado por Ignacio Ramiro, Verónica Sánchez. Dirigido por José Juan Barba (em processo de publicação).


Texto traduzido por Inês Veiga.
Autora:
Arquitecta desde 2004, ha desarrollado su trabajo como profesional independiente en urbanismo y arquitectura. En 2007 centró su actividad en Ayuda Humanitaria, donde ha trabajado con diferentes organizaciones tanto en desarrollo como en emergencia. Es máster en Proyecto Avanzado de Arquitectura y Ciudad, y se ha especializado en Agua, Saneamiento e Higiene en Cooperación Internacional y Emergencias y en Desarrollo de Asentamientos humanos en el Tercer Mundo. Durante estos años ha compaginado su actividad profesional con la docencia y la investigación. Actualmente imparte clases en máster y cursos de posgrado en diferentes universidades. Ha llevado a cabo diferentes investigaciones sobre asentamientos humanos y campos de refugiados, y escribe su tesis sobre Diseño y Construción de Centros de Ébola. Desde 2004 dirige el Taller CuatroESCALONES junto a Óscar Valero, especializado en el proceso de proyecto. En 2011 funda n´UNDO, junto a Alejandro del Castillo, lo que supone un posicionamiento en la manera de hacer arquitectura.

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