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Julia Ayuso

Saudável e sustentável. São incompatíveis? Desmontando o mito

Gráfico feito pelo autor

Um edifício saudável pode ter uma taxa de ventilação mais alta e menor consumo de energia do que um projeto standard. A primeira coisa que temos de fazer é deixar de pensar nos fatores individuais do edifício e começar a pensar neste “problema” de uma forma holística. Ou seja, pensar na energia e na ventilação, simultaneamente. Um exemplo: existem análises económicas nas quais se estimam que o custo para duplicar as taxas de ventilação é de 40€ por pessoa por ano E se esse aumento de ventilação se combinasse com uma estratégia holística para diminuir o consumo de energia?

 

Quando se pensa nas duas coisas juntas, surgem novas oportunidades. No The CogFx Study – Indoor Environmental Quality calcularam o que aconteceria se o edifício duplicasse simultaneamente a ventilação e adotasse um só sistema de poupança de energia: a recuperação de calor em ventilação (HRV). Neste caso, adicionar um HRV significa tanto dinheiro em poupança de energia que mesmo com esta taxa de ventilação 30% mais alta, há uma poupança líquida total. Noutras palavras, o uso de tecnologias de eficiência energética permite tomar melhores decisões em relação à ventilação. É uma forma de obter taxas de ventilação mais altas e, ao mesmo tempo, reduzir o uso de energia em geral.

 

Isto não funciona só para edifícios novos, também funciona na reabilitação de edifícios existentes. Alguns estudos demonstram que o correto design das instalações em edifícios existentes pode proporcionar uma poupança de energia que pode chegar a 16%.

 

Tendo em conta tudo o que foi dito até agora, poderíamos fazer um cálculo do impacto global da estratégia conjunta de Saudável e Sustentável numa empresa:

 

Usemos como exemplo uma empresa com 40 trabalhadores, com gastos de energia de 30.000€/ano. Se a empresa poupar 16% dos custos associados às instalações, os seus gastos de energia nesse ano reduzir-se-ão para 25.000€, aproximadamente. Se depois duplica a taxa de ventilação e calculamos 4€/pessoa/ano, o gasto incremental de energia para esta empresa de 40 pessoas é de 1.600€. Portanto, o efeito líquido desta abordagem holística para um edifício Saudável e Sustentável com maior eficiência energética e taxas de ventilação mais altas é que os custos de energia da empresa são agora de 26.600€/ano, o que representa uma poupança limpa de 3.400€.

 

Algumas investigações demonstraram que os edifícios mais saudáveis estão associados a 1,6 dias menos de baixa médica cada ano. Isto representa 1% do total de dias de trabalho por ano. Além do impacto na função cognitiva, outros investigadores realizaram estudos que estimam um aumento da produtividade entre 2% e 10% quando a qualidade do ar interior é melhor. Estes dados revelam que a maior taxa de ventilação tem o efeito de adicionar quase 9% ao resultado final.

 

Conclusão: o negócio beneficia-se quando combinamos taxas de ventilação mais elevadas, poupança de energia e benefícios para a saúde e o meio ambiente: é só uma questão de resolvermos o problema de forma holística.


Texto traduzido por Inês Veiga.
Autora:
(Elche, 1983) Como resultado de mi trabajo de investigación, hago labores de diseño y consultoría de espacios de trabajo centrados en las personas, que contribuyen a la mejora de su salud, bienestar y productividad. Soy Doctora Arquitecta y Project Manager especialista en cuantificar el beneficio económico que supone para las empresas la implementación de estrategias de diseño centrado en las personas, y actualmente dirijo People Lab en CBRE. No siempre quise ser arquitecta. Cuando era una niña pensaba que tal vez sería exploradora, o científica, o inventora. He viajado por todo el mundo para ver, tocar y sentir la arquitectura que me emociona. He vivido varios años en Japón, y lo que más me gusta de este país es su amor por lo bello y lo sutil (y el matcha).

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