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41% das pessoas que trabalham maneira remota não se sentem chegados aos colegas – Fonte McKensey Survey

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56% das pessoas que normalmente não trabalham de maneira remota sentem-se mais produtivas quando trabalham a partir de casa do que do escritório – Fonte J abra Global Survey

O futuro dos escritórios

 

Devemos aceitar que a maneira como vivemos e trabalhamos mudou para sempre por causa da pandemia.

Se a pandemia tivesse ocorrido apenas 15 anos antes, não estaríamos a enfrentar uma crise económica global e brutal como a de agora, mas sim o fim da civilização como a conhecemos. O desenvolvimento da tecnologia no âmbito doméstico e profissional salvou-nos de um colapso total a nível global. A forma como usamos a tecnologia foi a chave para entender o nosso futuro.

Centrando-nos nos escritórios, a questão que os profissionais se colocam é como os espaços precisam de evoluir para se adaptarem a uma nova forma de trabalhar, seguramente híbrida. Encontramo-nos no início de uma revolução semelhante à vivida pelo sector da educação, que está a deixar para trás a herança vitoriana para explorar espaços que estimulem a criatividade, a colaboração e o desenvolvimento. Aconteceu a mesma coisa com os espaços de trabalho.

Não fará sentido ir todos os dias a um escritório para fazer trabalho individual, porque isso pode ser feito em casa, num café ou na biblioteca municipal. Não será necessário que os escritórios sejam espaços assépticos com longas filas de mesas com computadores para cada trabalhador. No entanto, ir ao escritório será muito necessário por um motivo principal: colaborar em equipa.1 Falo de espaços flexíveis, com tecnologia plug-and-play, onde as equipas de trabalho se possam encontrar e partilhar o que desenvolveram de maneira individual. Está amplamente documentando que as atividades em grupo aceleram a inovação e a criação. Serão sessões organizadas para dinamizar processos e depois divididas para continuar com atividades individuais que podem ser feitas remotamente.2

Para isso, a tecnologia é chave. Por exemplo, devemos projetar espaços híbridos onde as reuniões de trabalho possam ser realizadas sem fronteiras, com pessoas que estão fisicamente na sala e outras que estão ligadas virtualmente a partir de outros lugares.

Essa nova forma de trabalhar, muito mais ágil, influenciará positivamente empresas, trabalhadores e cidades.

As empresas porque, ao eliminar as barreiras físicas, será possível trabalhar em qualquer lugar do mundo e fazer reuniões com clientes e partners sem ser preciso deslocar-nos. Também porque, ao não ser necessário ir todos os dias a um escritório central, poder-se-á procurar talento em qualquer canto do planeta, fazendo com que as empresas sejam mais competitivas.

Os trabalhadores porque ganharão qualidade de vida. Nas grandes cidades europeias, gasta-se em média 84 minutos por dia no percurso para o trabalho. Não ter de fazer isto todos os dias significa não só poupar dinheiro, mas também economizar tempo pessoal. Já não será preciso viver perto dos escritórios, e poder-se-á ampliar muito mais o raio, indo para lugares mais convenientes por motivos familiares ou económicos.

Em relação às cidades, ao haver menos deslocamentos, haverá menos poluição, e destinar-se-á mais espaço – hoje ocupado pelos veículos –, para as pessoas. Significará uma recuperação do comércio local; e também uma revitalização das áreas financeiras das cidades, onde serão introduzidos mais usos mistos e habitações, evitando o efeito noturno “Ghost Town Center” que se espalhou por todas as grandes cidades, herdadas das metrópoles norte-americanas.

Devemos abraçar a mudança. Como designers, temos um novo mundo perante nós que podemos/devemos transformar. É uma oportunidade.

 


Autor: Carlos Muriel. Arquiteto e Diretor Associado na Atkins Global, em Londres. Tem duas paixões: as pessoas e a arquitetura. Nessa ordem.


Texto traduzido por Inês Veiga.
Notas de página
1

41% das pessoas que trabalham maneira remota não se sentem chegados aos colegas – Fonte McKensey Survey

2

56% das pessoas que normalmente não trabalham de maneira remota sentem-se mais produtivas quando trabalham a partir de casa do que do escritório – Fonte J abra Global Survey

Autor:
La Fundación Caja de Arquitectos se constituye como Fundación cultural privada el 23 de Mayo de 1990, con el objetivo de promover y fomentar fines de carácter cultural, social, asistencial, profesional y formativo en el campo de la arquitectura, la construcción, el diseño, el urbanismo y, en general, de todo aquello relacionado con la actividad de los arquitectos.

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