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Galindo, M.P. y Corraliza, J.A. (2012). Estética ambiental e bem-estar psicológico: algumas relações existentes entre juízos de preferência por paisagens urbanas e outras respostas afetivas relevantes. Apuntes de Psicología, 30 (Número especial: 30 años de Apuntes de Psicología), p- 292.

 

Porque é que procuras paisagens bonitas?

Pensa na última paisagem que te impactou. É urbana ou natural? Lembra-te e analisa-a um momento. Que elementos tinha? Um rio, um lago, árvores, plantas, edifícios antigos, uma praça, um caminho, luz do sol?

Nos últimos meses estiveste longe dessa paisagem e de muitas outras que te tocaram a alma. Sentiste vontade de lá voltar e de descobrir outras.

Já alguma vez te perguntaste porque é que procuras paisagens bonitas? Desligar, recuperar energias e desfrutar da natureza podem ser algumas das respostas que te vêm à cabeça. São argumentos lógicos e fundamentados, mas e se te disser que também existem fatores emocionais que te fazem precisar desse contacto? E esses fatores são muito poderosos.

Existe uma relação entre o bem-estar psicológico e a estética ambiental. Ou seja, ao desfrutares de uma paisagem bonita obténs um benefício físico para a tua mente e para o teu corpo. Isto pode parecer trivial, mas tem origens no mais profundo do ser humano. Achas “lindas aquelas paisagens que incluem uma série de características (tanto de configuração espacial como de conteúdos específicos) que ao longo da filogénese provaram ser benéficas para a sobrevivência biológica dos nossos antepassados hominídeos“.1

O meio afeta, de maneira direta, o teu estado de ânimo, por isso um confinamento tão longo num núcleo urbano foi tão difícil em alguns casos. Estar longe de paisagens bonitas afeta o estado de ânimo. Mas a relação entre a estética e as emoções é mais profunda.

A valorização estética é influenciada pelas emoções; o que sentimos num determinado lugar é o que nos faz considerá-lo feio ou bonito. Segundo a teoria do psicólogo Daniel Berlyne, depende de duas dimensões: prazer e arousal (nível de ativação cerebral; excitação). Se processamos uma paisagem ou um lugar como calmo, confortável e que, além disso, excita os nossos sentidos (nível alto arousal), considerá-lo-ás uma paisagem bela. Se pelo contrário, é inseguro, desolado, sujo e aborrecido (nível baixo arousal), considerá-lo-ás feio e pouco interessante.

As investigações levadas a cabo pelos psicólogos Galindo e Corraliza demonstram a teoria Berlyne. Realizaram uma série de inquéritos a um grupo de habitantes de Sevilha. Neles, pedia-se para a avaliar estética e afetivamente uma série de paisagens urbanas na sua cidade. O resultado foi que os lugares que apresentam características benéficas à sobrevivência humana provocam emoções agradáveis ​​e são considerados belos. A vegetação, a luz, a ordem, a amplitude são aspetos que causam sensações de tranquilidade, segurança e conforto. Estas paisagens são consideradas mais bonitas.

É verdade que uma paisagem bonita não é apenas aquela que possui os traços e características necessárias à sobrevivência. Vivemos numa sociedade complexa, sofisticada e avançada, não é preciso viver num vergel para sobreviver. Podes ser capaz de apreciar a beleza de uma paisagem desértica ou hostil, e até de a desfrutar graças aos avanços tecnológicos. Temos as condições para podermos desfrutar de uma experiência estética de lugares impensáveis ​​para os nossos antepassados. Mas o que perdura é que a beleza faz te faz sentir bem.

Que tipo de paisagens procuras?

 

Referências:
Berlyne, D.E. (1960). Conflict, Arousal and Curiosity. Nova Iorque: McGraw Hill.
Galindo, M.P. e Corraliza, J.A. (2012). Estética ambiental e bem-estar psicológico: algumas relações existentes entre os juízos de preferência por paisagens urbanas e outras respostas afetivas relevantes. Apuntes de Psicología, 30 (Número especial: 30 años de Apuntes de Psicología), págs. 289-303.

Texto traduzido por Inês Veiga.
Notas de página
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Galindo, M.P. y Corraliza, J.A. (2012). Estética ambiental e bem-estar psicológico: algumas relações existentes entre juízos de preferência por paisagens urbanas e outras respostas afetivas relevantes. Apuntes de Psicología, 30 (Número especial: 30 años de Apuntes de Psicología), p- 292.

 

Autor:
(Madrid 1980) Doctorando en el departamento de Proyectos Arquitectónicos en la ETSAM, Master en Proyectos Arquitectónicos Avanzados por la ETSAM, 2013, Arquitecto por la Universidad Alfonso X El Sabio, 2006. Socio fundador de Estudio Perpendicular.

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