Hoje, em Espanha, a arquitetura e a profissão se deparam com um grande desafio, que socialmente deixa de ser visto como um problema e passa a ser visto como uma solução. A nova Lei da Arquitetura e da qualidade do meio construído pode ser o instrumento que permite subverter esta situação.
Para isso, é preciso reivindicar e dar visibilidade ao facto de que a arquitetura constitui uma ferramenta de transformação social, ao serviço da sociedade.
É essencial mudar a ideia dessa conceção única de Arquitetura – com A maiúsculo – para o que é chamado arquiteturas, em minúscula e plural, e que reconhece todas aquelas que configuram a atual realidade complexa, diversa e mutante da profissão.
Portanto, achamos necessário que a Lei responda às seguintes questões que se estão a abordar a partir destas novas realidades da profissão e da disciplina:
A qualidade do meio construído afeta a qualidade de vida das pessoas que o habitam. E, para isso, é necessário combater a desigualdade e melhorar os índices de vulnerabilidade, melhorar as condições ambientais, sociais e económicas do meio construído e da sua população para criar meios mais habitáveis, saudáveis, inclusivos;
Gestão da complexidade do meio construído: trabalhar com o contexto e a realidade existente, analisando-a em toda a sua magnitude. Ou seja, a partir de uma visão holística ou integral, incorporando outras perspetivas disciplinares, o que não medimos não pode ser melhorado, a partir do rigor para podermos determinar os problemas e propor um salto criativo ou aquele pensamento “fora da caixa” ao qual outras profissões não são capazes de chegar;
Não temos todas as respostas: precisamos construir pontes e colaborar com outras disciplinas, conhecimentos e sobretudo com aqueles que habitam a arquitetura e o meio construído;
Mudança de papel do arquiteto: de génio criador a facilitador de processos nos que intervêm diferentes agentes e interesses. No contexto da cidade, é o que chamamos negociação urbana e serve para estabelecer espaços de aprendizagem e construção coletiva onde traduzir as queixas para propostas;
Do objeto ao processo: entender que se deve deixar de ter uma visão unívoca sobre o objeto construído para atender ao processo de construção que permite tecer agendas partilhadas e incorporar e dar resposta às necessidades sociais;
Da análise à solução: reivindicar a nossa capacidade criativa e para o design face a outras profissões que não as têm na mesma medida;
Projetar “com” e não apenas “para”: o que significa incorporar a complexidade da realidade e pôr no centro as pessoas que habitam o meio construído, os seus conhecimentos quotidianos, as suas necessidades e os seus problemas através de processos de design colaborativo;
Humildade e empatia: Só se abordarmos as pessoas destes lugares, se as ouvimos e trabalharmos com elas, lado a lado, incorporando os seus conhecimentos, juntamente com os nossos e com a nossa experiência, pondo as nossas capacidades à sua disposição, é que poderemos transformar a arquitetura numa ferramenta de transformação social. Para isso, devemos deixar de estar fechados nos nossos escritórios e mais próximos das pessoas, a arquitetura precisa de “mais rua”;
Resumindo, para que a arquitetura deixe de ser vista como um problema e seja considerada uma solução, reivindicamos as arquiteturas que trabalham com os condicionantes da realidade e colocam as pessoas e a natureza no centro do processo criativo. Desta forma, ser-nos-á possível recuperar o valor social da profissão e esta voltará a ser vista como ferramenta para a transformação coletiva e melhora dos nossos meios.
Paisaje Transversal
Paisaje Transversal es una oficina de Planificación Urbana Integral que ofrece asesoría y consultoría en la transformación de las ciudades y los territorios desde una perspectiva innovadora, integral y participativa.
Desde el inicio de nuestra andadura profesional a finales de 2011 hemos desarrollado más de 100 proyectos repartidos entre España, Europa y Latinoamérica.
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