Jorge Toledo
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“Open source” traduz-se normalmente como “código aberto”, o que faz sentido no mundo do software, onde o que se partilha se chama “código fonte”. No entanto, “fonte aberta” parece-me uma tradução mais precisa e extrapolável, e lança perguntas interessantes que exponho no final do artigo.

Em direção a uma arquitetura… Open Source

A arquitetura é um jogo sábio, correto e magnifico de uma boa quantidade de aspetos sob a luz do conhecimento partilhado. E agora que já tenho a vossa (possivelmente irritada) atenção, vamos falar de arquitetura aberta.

A abordagem que vos trago é, de inicio, simples: sim, como comentava anteriormente, partilhar documentos ou ferramentas com uma licencia aberta facilita a sua utilização e divulgação e pode contribuir para fazer uma melhor arquitetura como disciplina e como profissão…

… O que aconteceria se fossemos mais além e pensássemos fazer com que a própria arquitetura fosse de fonte aberta,1 facilitando assim o estudo, a reprodução e a adaptação dos nossos projetos por parte de terceiros?

Admito que pode parecer obvio e inverosímil ao mesmo tempo.

Obvio porque é uma coisa que já o é assim há muito tempo, certo? Ao fim ao cabo, a arquitetura tradicional baseia-se em soluções conhecidas e adotáveis por qualquer um, transmitidas como parte da cultura e que se vão adaptando ao longo do tempo por meio de melhoras realizadas por diferentes pessoas. De certa maneira, isto já acontece, também, quando se cria e distribui (com maiores ou menores limitações) prontuários, livrarias ou outras publicações de detalhes construtivos.

Inverosímil porque…. estamos a falar da Arquitetura. Uma profissão regularizada que tem grandes responsabilidades e complexidades pelo meio. E egos, também, visíveis no afã de alguns de evitar a cópia e defender os direitos de autor a níveis que podem chegar a ser absurdos. E um certo pudor de partilhar coisas a meio-fazer, inevitavelmente cheias de descosidos que preferiríamos não expor ao publico. E um medo visceral de que outros se aproveitem do trabalho próprio.

Mas a translação dos princípios “abertos” da arquitetura tradicional ou do software livre à profissão atual não é nem tão direta nem tão impossível como parece. Se ilustradores como David Revoy podem viver do seu trabalho partilhando praticamente tudo e criando um ecossistema de obras derivadas, mais motivo temos para tentarmos, os arquitetos, que não dependemos de “vender copias” para viver.

Ao longo dos últimos anos, têm surgido projetos que se aproximam a esta ideia, uns com mais e outros com menos acerto e compromisso. Desde o questionável e desaparecido site de Paperhouses à cuidada recopilação de soluções abertas de Inteligencias Colectivas ou o foco modular de Open Structures. Desde o ainda tosco gesto de partilhar a documentação de alguns projetos (como o Air Tree de Ecosistema Urbano, já há uma década, ou as viviendas incrementales de Elemental) ao projeto Wikihouse, um dos que tenta levar mais a serio o tema até às últimas consequências.

Comentar e rever criticamente esses exemplos daria para uma tese, mas nos próximos artigos tentarei abordar algumas preguntas-chave que podem ajudar-nos a fazê-lo, e até aproximar-nos a uma definição:

Quais são os critérios que definem a arquitetura aberta? O que é que significa realmente fazer arquitetura de fonte aberta? Qual é a “fonte” que é preciso partilhar ou abrir para que o seja? Que desafios encontraremos quando o fizermos?


Imagem: CC BY Yorik van Havre. Fuente Wiki freecadweb
Texto traduzido por Inês Veiga
Notas de página
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“Open source” traduz-se normalmente como “código aberto”, o que faz sentido no mundo do software, onde o que se partilha se chama “código fonte”. No entanto, “fonte aberta” parece-me uma tradução mais precisa e extrapolável, e lança perguntas interessantes que exponho no final do artigo.

Autor:
Jorge Toledo García es Arquitecto, actualmente trabajando en Ecosistema Urbano, donde lleva principalmente temas de comunicación así como la investigación y desarrollo de herramientas aplicadas a lo social. Interesado en las aplicaciones de la innovación abierta y la cultura libre a las formas de trabajo, al entorno urbano y a la arquitectura.

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