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LEFAIVRE, L. / TZONIS, A. (1999) Aldo van Eyck Humanist Rebel. In betweening in a Postwar World, 010 Publishers, Rotterdam.

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STUTZIN, N. “Políticas del playground: los espacios de juego de Robert Moses y Aldo van Eyck” em Ediciones ARQ, dezembro 2015.

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Síndroma do défice de natureza, desenvolvido na Tese Doctor en Procesos Territoriales de LUGO, E. (2013) Derechos de los niños y espacios jugables, 5º Prémio UNICEF

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LIGTELIJN, V. (1967) Aldo Van Eyck. Collected articles and other writings: 1947-1998. The Child, the City and the Artist, SUN Publishers, Amesterdão

A brincar com a rua, a sonhar com a rua…

Hide And Seek (Paris, 2009) Fotógrafa: Sofia Verzbolovskis (@sofiaverz)

O espaço público pode ser entendido de várias formas e evolui continuamente: varia ao longo do tempo e de acordo com as necessidades demandadas pela sociedade, até há atualidade, no momento onde parece que as nossas cidades se esqueceram que a infância precisa de espaços onde se possam desenvolver socialmente, onde pôr à prova a sua criatividade e os seus sentidos.

Antes do automóvel invadir a cidade, ox putox apropriavam-se da rua como forma de brincadeira. Aproveitavam os becos e as esquinas para jogar às escondidas, corriam, sujavam a roupa … Com o passar do tempo, a areia e a água foram substituídas por um artefacto comercial com cores berrantes e uma vedação que diferenciava o espaço onde a criança brinca com o resto da cidade, para que pudessem brincar sgurox.

O primeiro destes modelos apareceu na cidade nova-iorquina nos anos trinta, sob a direção de Robert Moses, que repovoou a cidade com montes de playgrounds: promoviam a segurança do parque infantil e estabeleciam formas predeterminadas de como se devia brincar.

Pela mesma altura, em Amesterdão, a arquiteta do Departamento de Planificação Urbanística, Jakoba Mulder, proponha a Aldo Van Eyck a incorporação de uma espécie de caixa de areia nos 714 playgrounds1 que ocupariam a cidade bombardeada pela guerra: estas favoreceriam a relação em grupo, a espontaneidade e a sua livre apropriação. Desta forma, cumprir-se-ia a visão mais ambiciosa do projeto: ver toda a cidade convertida num parque infantil2.

Contextos e localizações diferentes. Formas de brincar diferentes. E, no entanto, por que motivo milhares das nossas cidades compartilham o design do playground de Nova Iorque de há tantos anos atrás? Por que razão estes projetos são demasiado condicionantes? Porque é que sentimos esta predominante falsa ideia de segurança? Porque é que, aparentemente, continuam a não responder às necessidades atuais da criança?

Brincar é um instrumento de integração social e de transformação do espaço público, é criatividade e inovação: brincar é sinónimo de liberdade. Ainda assim, os espaços infantis na cidade parecem quase inexistentes, ou talvez parece que nos esquivemos deles, e, além disso, a falta de espaços verdes nos nossos meios propicia um grande défice de natureza para as crianxas urbanax3.

Além disso, devemos ter presente o facto de estarmos num momento em que os meios de comunicação e o entretenimento provocaram mudanças nas atividades e nos hábitos das crianças, como explica Dolores Victoria Ruiz no seu post “Ensinar a observar na era do olho”, presente neste mesmo blog: “Para as crianças que vivem em países industrializados, a cidade é como um cenário que intuem pelo canto do olho enquanto jogam com o telemóvel dos seus pais, enquanto veem um DVD no carro ou enquanto brincam com o seu próprio Ipad no autocarro”.

Apesar de todas estas limitações com as quais se projetam os playgrounds das nossas cidades, as crianças continuam a surpreender-nos, apropriando-se de lugares que em princípio não estavam pensados para elas e, assim, redescobrem a cidade: A cidade sem o movimento particular da criança é um paradoxo maligno.

A criança descobre a sua identidade contra todos os prognósticos, danificando e voltando a danificar em continuo perigo e incidentes feixes de luz. Relegada à periferia da atenção, a criança sobrevive, um quantum emocional e improdutivo. Quando a neve cobre as cidades, a criança torna-se, por um instante, no senhor da cidade4.

E a sua cidade, redescobre as crianxax?


Texto traduzido por Inês Veiga
Notas de página
1

LEFAIVRE, L. / TZONIS, A. (1999) Aldo van Eyck Humanist Rebel. In betweening in a Postwar World, 010 Publishers, Rotterdam.

2

STUTZIN, N. “Políticas del playground: los espacios de juego de Robert Moses y Aldo van Eyck” em Ediciones ARQ, dezembro 2015.

3

Síndroma do défice de natureza, desenvolvido na Tese Doctor en Procesos Territoriales de LUGO, E. (2013) Derechos de los niños y espacios jugables, 5º Prémio UNICEF

4

LIGTELIJN, V. (1967) Aldo Van Eyck. Collected articles and other writings: 1947-1998. The Child, the City and the Artist, SUN Publishers, Amesterdão

Autor:
Arquitecta por la ETSAS (2017). Su proyecto final de carrera Paisajes Domésticos: sobre la arquitectura, lo social y el juego ha sido seleccionado en la Bienal de Venecia 2018. Creatividad, ganas e ilusión por mejorar cada día son características que la definen. Actualmente estudia el Máster de Diseño de Instalaciones en Arquitectura y Eficiencia Energética.

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