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“La planificación para las diversas fases de la vida”, versão em espanhol, Urbanistica, 1,1945, pág. 7-11.

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Streets, 1949-53. Estas fotografias da vida quotidiana na rua, sempre frequentada por crianças, tiveram uma grande influência na atitude criativa e no pensamento urbanístico de Alison e Peter Smithson.

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Streets, 1949-53. Estas fotografias da vida quotidiana na rua, sempre frequentada por crianças, tiveram uma grande influência na atitude criativa e no pensamento urbanístico de Alison e Peter Smithson.

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Ver artigo sobre a liberdade de movimento e o conhecimento do meio urbano nas crianças entre 8 e 11 anos em La Città Dei Bambini

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Lefaivre, H. El derecho a la ciudad. Capitán Swing libros, S.L. Madrid, 2017, pág. 125-126.

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Para aprofundar nas cidades inseridas na rede “A Cidade das Crianças

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Em cidades grandes como Roma e Palermo, as atuações começaram com a projeção de vias escolares em bairros concretos. Em 2001, foi inaugurado o laboratório “Roma, a Cidade das Crianças”, composto por 42 conselheiros das escolas primárias que representam as 19 freguesias que compõem a cidade.

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Appleyard,D. Livable Streets, 1981.

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Mosquera Lorenzo, X.C. et allí, Pontevedra. Outra mobilidade, outra cidade. Pons Seguridad Vial S.L. Madrid, 2015.

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Pontevedra foi premiada em numerosas ocasiões pela eficácia das suas políticas urbanísticas.

Tonucci ou quando os pedagogos falam de cidade

A cidade é uma construção coletiva, cultural e social, que originou reflexões a partir de disciplinas muito diversas ao longo da História. Autores como Lewis Mumford1, fotógrafos como Nigel Henderson2, professoras como Olga Adams3  e arquitetos de referência como Aldo Van Eyck foram responsáveis, após a Segunda Guerra Mundial de um tema até então pouco considerado: a criança no meio urbano. Anos mais tarde, Colin Ward escreveria uma das obras de referência em relação a este tema, The Child in the City (1978), onde analisa como as crianças usam o espaço urbano e como pode a cidade melhorar ou piorar as condições de vida da infância. No entanto, quando, em 1996, o pedagogo e professor Franscico Tonucci publica a sua obra A Cidade das Crianças, houve alguma coisa que mudou: a criança já não se limita a sair à rua. Pela primeira vez na infância do ser humano perdeu-se a primazia do brincar livremente, a liberdade do desfrute lúdico sem vigilância, e a pedagogia mede as consequências no desenvolvimento4.

Apesar dos 20 anos que se passaram, a análise urbana proposta no texto continua em vigor: a especialização e a setorização como princípio de marginalização da vida urbana dos cidadãos mais “frágeis” (idosos, crianças, pessoas com deficiências …), a gentrificação e o ‘esvaziado’ dos centros urbanos, a falta de segurança, a hegemonia do carro face ao pedestre e o espaço público como objeto de consumo. Aliás, uma grande parte destes temas aparece em O Direito à Cidade de Lefaivre: o ser humano tem necessidades especificas que não satisfazem os equipamentos comerciais e culturais e que os urbanistas não têm em especial consideração. Referimo-nos às necessidades criadoras, de obra) […] de imaginação e de atividades lúdicas. […] Não serão estas umas necessidades urbanas especificas de lugares qualificados, lugares de simultaneidade e de encontros, lugares nos quais o intercâmbio suplantaria ao valor da troca, ao comércio e ao beneficiário?5

Como medida de melhoria urbana, Tonucci propõe incluir a criança tanto nas decisões urbanas como na realização das propostas, para que haja uma visão independente sobre os espaços que garanta que a economia não prevaleça sobre os demais valores. Considera também apropriado que a criança seja o novo parâmetro urbano já que “uma cidade adequada à infância é uma cidade adequada para todos”.

A proposta do seu livro, eminentemente prática, teve uma enorme divulgação em Itália, em Espanha e na América-Latina, e, neste último caso, especialmente em Argentina6. A sua implantação, adverte Tonucci, é mais simples em cidades pequenas (até 150.000 habitantes)7.

Na nossa península, Pontevedra (82.549 habitantes) representa o apogeu deste projeto. O seu sucesso deve-se em grande parte à coragem de abordar decisivamente um dos aspetos mais complexos da proposta: um plano de mobilidade urbana que entende a função social e recreativa da rua para além do tráfico. Estratégias como a traffic calming ou a dissapearing traffic e estúdios como o Livable Streets8 determinaram uma grande parte das decisões tomadas: reduzir o trânsito tanto quanto possível eliminando a circulação, limitar a velocidade a 30 km/h através do próprio projeto urbanístico, regular o estacionamento com medidas de controlo horário, ampliar os passeios e recuperar praças e ruas para o peão, tornando-as totalmente acessíveis9. É graças a este meio ameno que foi possível fazer com que a cidade voltasse a ser uma realidade para as crianças, possibilitando-as de brincar na rua, de ir sozinhas para a escola. Existe também um Conselho Infantil, a partir do qual podem contribuir com opiniões e fazer propostas, garantindo o ponto de vista da infância, mas quando terminam, regressam às suas ruas habitadas que lhes oferecem um presente que nunca se deveria ter perdido: o de poder brincar livremente10.


Texto traduzido por Inês Veiga
Notas de página
1

“La planificación para las diversas fases de la vida”, versão em espanhol, Urbanistica, 1,1945, pág. 7-11.

2

Streets, 1949-53. Estas fotografias da vida quotidiana na rua, sempre frequentada por crianças, tiveram uma grande influência na atitude criativa e no pensamento urbanístico de Alison e Peter Smithson.

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Streets, 1949-53. Estas fotografias da vida quotidiana na rua, sempre frequentada por crianças, tiveram uma grande influência na atitude criativa e no pensamento urbanístico de Alison e Peter Smithson.

4

Ver artigo sobre a liberdade de movimento e o conhecimento do meio urbano nas crianças entre 8 e 11 anos em La Città Dei Bambini

5

Lefaivre, H. El derecho a la ciudad. Capitán Swing libros, S.L. Madrid, 2017, pág. 125-126.

6

Para aprofundar nas cidades inseridas na rede “A Cidade das Crianças

7

Em cidades grandes como Roma e Palermo, as atuações começaram com a projeção de vias escolares em bairros concretos. Em 2001, foi inaugurado o laboratório “Roma, a Cidade das Crianças”, composto por 42 conselheiros das escolas primárias que representam as 19 freguesias que compõem a cidade.

8

Appleyard,D. Livable Streets, 1981.

9

Mosquera Lorenzo, X.C. et allí, Pontevedra. Outra mobilidade, outra cidade. Pons Seguridad Vial S.L. Madrid, 2015.

10

Pontevedra foi premiada em numerosas ocasiões pela eficácia das suas políticas urbanísticas.

Autor:
Es arquitecta por la ETSA de Sevilla (2003) y Máster en Arquitectura y Patrimonio Histórico (2008). Primer premio por su fin de carrera en la XXI Edición del Premio Dragados. Se forma en el estudio de Ricardo Alario, con quien comparte actualmente actividad profesional . En 2011 funda junto a Tibisay Cañas, Laura Organvídez, Ana Parejo y Sara Parrilla cuartocreciente arquitectura, una iniciativa creada con el objetivo de mejorar los tres espacios principales en los que se desarrolla la niñez (casa, escuela y ciudad) a través de la investigación, los talleres de arquitectura, la realización de proyectos y el diseño de objetos. Actualmente desarrolla un tesis sobre el espacio de juego exterior en la infancia, dirigida por Ángel Martínez García-Posada. Ha escrito y presentado diversas comunicaciones sobre el playground y el juego del niño en la ciudad.

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