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Decálogo do arquiteto emigrante

Hoje proponho-vos esta lista de máximas para todos os arquitetos que desejem sair do país para trabalhar. Trata-se de uma série de conselhos mais ou menos compartilhados entre alguns colegas emigrados, que tentamos lembrar cada dia para não perder demasiado o rumo:

  1. Não vás assim do nada.

É importante fazer os trabalhos de casa. Estabelece contacto com o máximo de ateliers e empresas possível, cria uma rede densa que te permita chegar já com um contrato ou, pelo menos, com uma boa quantidade de entrevistas. Às vezes, o melhor lugar para emigrar não é aquele que é mais prestigiado e sim aquele onde mais te conhecem.

  1. Leva toda a artilharia… burocrática.

A qualquer momento podes ter de assinar determinado papel de forma inesperada e que para o qual não tenhas o certificado ou o diploma correspondente. Avança-te a esta situação, leva contigo todos os documentos de acreditação que achas que podes necessitar. Mesmo que vás já com contrato. Quem sabe se não pode surgir outro projeto, por exemplo, como trabalhador independente?

  1. Decora o labirinto, passeia-te pela cidade.

O lugar no qual se desenvolverá a profissão é determinante. Aprender a passear neste significa conhecer os códigos de conduta nessa particular esquina do mundo, que, normalmente, são muito diferentes aos do nosso lugar de origem. Passear, comer fora, falar com as pessoas… é a melhor arma para nos adaptarmos com naturalidade.

  1. Aprende o idioma da construção, sobretudo o português.

A arquitetura e a construção têm a sua própria linguagem especializada, em todos os idiomas. Aprendê-la é fundamental, apesar de que esta tarefa possa chegar a ser complicada inclusive se se trata da nossa “própria” língua. Falar de steel trusses ou dry walls, pode chegar a ser mais fácil que ouvir falar de “alvenaria” quando esta não faz referência ao ofício, passar a dizer “coluna” em vez de pilar, ou descobrir que não existe tradução clara para “beirado”.

  1. Entra em contacto com a academia

Ao ser um dos pilares da profissão, a academia define consideravelmente o modelo profissional do país: que formação deve o arquiteto ter, quais são as suas boas práticas, etc. Ter conhecimento desta informação pode ajudar a posicionares-te como profissional. Em que se parecem e diferem os arquitetos portugueses com os do lugar onde viajarás? Em que posição estás em relação a eles? A quanto é que deverias cobrar a lebre?

  1. Conhece os meios de divulgação e crítica

De maneira análoga à Academia, os meios de comunicação podem liderar o caminho. Posicionar-se em relação a estes e complementá-los é útil para estabelecer laços duradouros. Poderia chegar a ser uma ferramenta de internacionalização apetecível para projetos editoriais e de critica arquitetónica.

  1. Une-te ao sector

O modelo sectorial pode ser muito diferente no país destino. Normalmente, é boa uma ideia conhecê-lo, saber onde alcançam as suas influências e quais são as suas limitações. Por exemplo, há lugares onde inscrever-se na Ordem é obrigatório até para dar aulas.

  1. Aprende as práticas da indústria

Tal como o idioma, os hábitos profissionais podem variar enormemente. A documentação de um projeto, a medição de obras ou as formas de pagamento podem ser muito diferentes. Da mesma forma, varia o papel do arquiteto numa empresa construtora. Aí é quando nos apercebemos da importância do Arquiteto Técnico ou do Mestre-de-Obras na indústria da construção. Sentimos a sua falta, enviamos-lhe uns emails e acabamos por o persuadir a que venha connosco.

  1. Associa-te

Procura alianças além das do teu círculo profissional próximo. Sintoniza-te e faz amigos com quem possas levar a cabo novos empreendimentos. Um contacto local inesperado pode salvar-te da situação de ter que voltar a casa com as mãos a abanar.

  1. Tem o teu objetivo bem claro: Emigra com otimismo

O número um já tinha sido antes anunciado, pois faz referência à conclusão do post anterior: Por que razão emigra um jovem arquiteto? Nesse dia dissemos “por um sonho”, e hoje volto a repetir: POR UM SONHO. Um projeto laboral e vital no estrangeiro deve estar bem planificado, necessita uma fase de preparação ampla e se não está fundamentado numa forte vocação converter-se-á num sumidouro de esforços que nunca alcançará as nossas expectativas. Com isto não quero dizer que se tenha de emigrar para o resto da vida; cada pessoa e cada projeto tem os seus próprios timings.

Na minha opinião, o mais importante é planificá-los com inteligência e gozá-los ao máximo.


Texto traduzido por Inês Veiga

 

Autor:
Arquitecto, Investigador. Investigador pre-doctoral en el programa Arquitectura. Historia y Proyecto del Politécnico de Turín. Ex Profesor de la Universidad de Los Andes, Colombia. Colaborador de Historia National Geographic. Fundador de blogURBS y URBS Revista de Estudios Urbanos y Ciencias Sociales . Antiguo corresponsal de La Ciudad Viva .

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